MESOESCULTURA

Mesoescultura

A Engenharia Biomédica tem dado nas últimas décadas saltos gigantescos em função da pesquisa incessante de inovações e da evolução dos processos sobretudo no sentido de criar novas soluções mais eficientes , não invasivas e não traumáticas , inclusive na área da Estética , uma vez que é um consenso de mercado que tratamentos estéticos não devem estar necessariamente associados à dor.

Dada a eficácia da Mesoterapia nos tratamentos estéticos buscamos nos últimos anos através de pesquisas na área da Biofísica , análogos e alternativas não invasivas e não traumáticas ao processo , apoiadas nos mesmos princípios postulados pelo Dr. Pistor , porém com um mínimo de efeitos colaterais adversos.

Com forte apoio nos estudos desenvolvidos notadamente nos últimos quinze anos pela comunidade científica internacional na área de administração transdérmica de drogas (TDD) através das ações isoladas da sonoforese e iontoforese , conforme a bibliografia indicada ao final deste artigo , desenvolvemos uma solução que emprega a ação sinergética e complementar da sonoforese e iontoporação associadas à vibroterapia inercial e efeito térmico , empregando-se um aplicador único, dando origem ao processo e equipamento de Mesoescultura , ambos inéditos e com patentes requeridas em 2000 no Brasil , em 2001 nos Estados Unidos e em diversos outros países e finalmente em 2002 nos países da Comunidade Européia .

O processo de Mesoescultura é não invasivo , totalmente indolor , não origina hematomas nem qualquer desconforto , não requer materiais e melanges estéreis de modo que é extremamente bem aceito na área da Medicina Estética.

Consiste basicamente de um equipamento dotado de dispositivo único de aplicação no qual de forma sinergética , complementar e simultânea estão disponíveis ondas mecânicas na gama do ultrasom (sonoforese) , campo elétrico de intensidade , polaridade e forma de onda adequados (iontoforese e eletroporação ), além de ondas vibratórias (mecânicas) de baixa frequência com parâmetros convenientemente selecionados e leve aquecimento do dispositivo aplicador.

VIBROTERAPIA INERCIAL

De acôrdo com a Mecânica Vibratória as ondas de choque de baixa frequência possuem a propriedade de vencer as forças de adesão e de coesão , ou seja , as forças de Van der Waals , diminuindo a tensão superficial dos líquidos, no caso do melange espalhado topicamente na área sob tratamento bem como no estrato córneo , ajudando a desorganizar as estruturas lipídicas intercelulares aumentando em consequência a permeabilidade cutânea.

Internamente ao aplicador do equipamento existe uma unidade motora comandada pelo sistema microcontrolado que através de técnicas de PWM ( pulse width modulation ) pode produzir diversos tipos de vibrações inerciais com amplitudes, frequências e formas de onda particularmente estudadas de modo a produzir micropulsações de amplo espectro de frequências que são transferidas à superfície da pele , objetivando inclusive , dentre outros efeitos , a obtenção de estímulo físico , agindo diretamente sobre as terminações sensitivas cutâneas e promovendo vasodilatação uniforme na área sob tratamento .

Observe-se que na formulação dos melanges empregam-se fármacos que complementam tal ação , existindo desta maneira uma solução fisico-química combinada para a obtenção de aumento da permeabilidade do estrato córneo associado a uma vasodilatação homogênea mais rápida e eficiente.

SONOFORESE

O segundo princípio físico empregado é a sonoforese ou fonoforese , que consiste na utilização de ondas mecânicas de alta frequência na gama dos ultrasons com amplitude controlada para facilitar a permeação dos princípios ativos contidos nos melanges .

No processo de Mesoescultura o ultrasom é utilizado com função totalmente diferente da que normalmente se utiliza nos processos estéticos e fisioterápicos , nos quais a frequência está acima de 1 Mz , de modo que este processo inovador não deve ser confundido com o utilizado nos equipamentos de ultrasom estético e fisioterapêutico convencionais.

As ondas ultrasônicas , notadamente as de frequências mais baixas , da ordem de 1 MHz e inferiores que estão abaixo da gama do ultrasom terapêutico possuem a propriedade de criar cavitação transitória no seio do melange sendo que o colapso das microbolhas na interface melange/estrato córneo e lipídios/queratinócitos cria ondas de alta pressão que originam microjatos de alta velocidade que bombardeiam a fase sólida , no caso a superfície externa do estrato córneo bem como dos queratinócitos adjacentes ajudando a criar os chamados "aqueous channels" que aumentam a permeabilidade da epiderme , consequentemente também sua condutividade elétrica , permitindo a introdução e facilitando os processos químicos e fisiológicos envolvidos na metabolização através dos fármacos sendo utilizados.

IONTOFORESE E ELETROPORAÇÃO (IONTOPORAÇÃO)

Utiliza-se uma pulseira condutora aplicada ao pulso direito da cliente e desta maneira estabelece-se um campo elétrico entre a superfície metálica do aplicador e a pulseira condutora .

Tal campo elétrico , normalmente do tipo "pulse burst" ou onda quadrada polarizada com amplitude , taxa de repetição e ciclo de trabalho especialmente estudados ocasiona a chamada iontoforese bem como a eletroporação , permeando princípos ativos ionizáveis (ou não , através da iontohidrocinese ou eletroosmose), a estimulação das terminações nervosas vegetativo-simpáticas aumentando a concentração do AMPc e a secreção da lipase intra-adipocitária gatilhando o processo de lipólise, favorecendo assim a hidrólise dos triglicerídeos em ácidos graxos livres e glicerol.

Como os princípios biofísicos que regem a iontoforese e a eletroporação são exatamente os mesmos , a diferenciação entre ambos os processos resultando simplesmente da seleção da amplitude , duração e da forma de onda de tensão elétrica empregados , se levarmos em conta que a epiderme é descontínua em função da presença dos anexos , verifica-se que , de forma qualitativa , a iontoforese age nos anexos ao passo que a eletroporação ocorre também no estrato córneo , de modo que os pesquisadores da área da Engenharia Biomédica se preocupam atualmente com os aspectos quantitativos ligados à distribuição topológica da ocorrência de efeitos provenientes de cada um dos processos , pois na realidade estes via de regra coexistem de forma associada e complementar.

Desta maneira , baseados na similaridade das modelagens da pele tanto reológicas como eletromecânicas e eletroquímicas preferimos introduzir um conceito mais amplo, tratando o processo combinado como IONTOPORAÇÃO.

A passagem da corrente favorece também a despolimerização dos proteoglicanos que encontram-se em um meio rico em água e ions minerais desencadeando uma série de processos metabólicos internos , os quais auxiliados pelos fármacos do melange provocam a hidrólise dos triglicerídeos das gorduras de reserva do tecido adiposo , insolúveis em água, em ácidos graxos livres e glicerol , hidrosolúveis , possibilitando seu encaminhamento rápido para as correntes sanguínea venosa e linfática , reduzindo assim a massa de tecido adiposo local.

Este processo exige que a polaridade do campo elétrico seja escolhida de acôrdo com o pH do melange sendo utilizado e deve obrigatoriamente ser informada pelo seu produtor.

EFEITO TÉRMICO

Uma ligeira elevação de temperatura da superfície metálica do aplicador , criada por efeito Joule , da ordem de um a dois graus centígrados acima da existente na superfície da pele já causa certo decréscimo da impedância elétrica da pele , favorecendo ainda mais os efeitos positivos da iontoforese , bem como cria diminuição adicional da tensão superficial dos lipídios intercelulares do estrato córneo , aumentando em consequencia a permeabilidade deste.

 
 
 
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